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EXERCÍCIOS ADEQUADOS EVITAM PROBLEMAS
As dores na
coluna vertebral em geral resultam de sedentarismo e hábitos
inadequados de vida. Esta epidemia silenciosa ataca quase 80% da
população, resultado da falta de exercícios físicos regulares, uso
incorreto da coluna no trabalho (biomecânica errada), local de
trabalho com móveis e utensílios inadequados (ergonomia incorreta),
estresse e obesidade.
À medida
que a pessoa sofra uma dor crônica na coluna (dor que dura mais de 3
meses), este sofrimento leva ao surgimento de diversas
incapacidades, que limitam suas atividades diárias, reduzindo sua
qualidade de vida.
A melhor
maneira de prevenir o surgimento das dores na coluna é através da
adoção de hábitos saudáveis de vida. Boa postura, biomecânica e
ergonomia corretas, controle de estresse e, principalmente,
realização de exercícios físicos adequados, formam a base de um
programa de prevenção e manejo das dores na coluna vertebral.
Antes de começar qualquer programa de
exercícios consulte um médico!
SEU
PROGRAMA DE EXERCÍCOS DEVE SER GLOBAL E ADEQUADO AO SEU MOMENTO
Um
programa ideal de exercícos é composto de 3 modalidades:
A)
Exercíco Aeróbico: é aquele que aumenta a freqüencia respiratória e
os batimentos cardíacos, aumento a entrada de oxigênio na circulação,
nos órgãos e tecidos. Caminhar, correr, pedalar e nadar são
exercícios aérobicos.
B)
Alongamentos: são movimentos que colocam aticulações, músculos, tendões
e ligamentos em posições especificas de estiramento.
C)
Fortalecimento Muscular: exercícios que geram aumento de resistência
e da massa muscular.
A não
realização das 3 modalidades de exercícos limita a afetividade dos
exercícos fisícos na prevenção e tratamento das dores da coluna
vertebral.
O mais
importante em um programa de exercícios é sua regularidade. Não é
algo que se faça durante um período e se abandone nos primeiros
sinais de melhora. É algo para toda a vida.
O ideal é
a realização de exercícios diariamente. É prejudicial à saúde
realizar exercícios intensos esporadicamente. A manutenção do
condicionamento físico depende de um processo contínuo e regular.
Portanto, seja perseverante.
O
programa ideal é aquele que proporciona alegria e satisfação ao
realizá-lo, divirta-se ao exercitar-se!
EXERCÍCIO AERÓBICO
Nadar é um
exercício extremamente benéfico para a coluna vertebral. Na
impossibilidade da natação, ou mesmo associado a esta, caminhar é um
eficaz exercício aeróbico.
Por ser a
atividade física mais natural, simples de executar, não requerer
equipamentos especiais e por poder ser praticada em qualquer hora e
local, caminhar é um exercício aeróbico muito prático de ser
realizado diariamente.
BENEFÍCIOS DA CAMINHADA
Libera
endorfinas, a morfina biológica, conhecida como "pain Killer", que
combate a dor e provoca uma sensação de bem estar, reduzindo o
estresse, ansidade e depressão. Auxilia no controle do peso, reduz o
risco de osteoporose e auxilia no controle da hipertensão, diabetes
e colesterol.
CAMINHAR
AUMENTA:
a capacidade
cardíaca e pulmonar
a oxigenação
dos músculos
a resistência,
flexibilidade e força
a agilidade e
coordenação
a auto-estima,
a qualidade do sono
a resistência
às doenças
SÍNDROME DO TÚNEL DO CARPO:DIAGNÓSTICO,TRATAMENTO E PREVENÇÃO.
INTRODUÇÃO
A Síndrome do Túnel do Carpo(STC) é a mononeuropatia
compressiva mais comum e deve-se à compressão do nervo mediano no
canal do carpo no punho.
Descrita inicialmente por Paget, em 1854,apresenta
sintomatologia muito característica de dor, parestesias e
disestesias nos quatros dedos laterais da mão, especialmente à noite,
acordando o paciente. Ocorre muito mais freqüentemente em mulheres e
muitas vezes é bilateral.
É uma patologia que freqüentemente não é diagnosticada
precocemente, sendo confundida com problemas de origem circulatório
ou de coluna cervical.
A realização de um diagnóstico precoce e a utilização de um
tratamento adequado leva à cura completa da STC. Por outro lado, a
demora no diagnóstico e tratamento pode resultar em dano
irreversível do nervo mediano com a persistência dos sintomas e
limitação funcional.
A utilização da eletroneuromiografia, que pode ser considerada
o padrão ouro no diagnóstico desta patologia, permite a realização
de um diagnóstico precoce e quantificação da lesão, auxiliando na
decisão terapêutica.
É importante também buscar a prevenção da STC, especialmente
naqueles indivíduos que realizam movimentos repetitivos das mãos,
através da avaliação de aspectos ergonômicos, mudanças na rotina de
trabalho e prescrição de exercícios preventivos.
O tratamento nos casos iniciais e leves pode ser conservador à
base de repouso, afastamento da atividade causal, injeção de
corticóide no local, imobilização do punho, tratamento fisiátrico e
farmacoterapia. Nos casos moderados e severos é indicado a cirurgia
de secção do ligamento transverso do carpo. Descreveremos a seguir
aspectos anatômicos, fisiopatológicos, clínicos, neurofisiológicos,
terapêuticos e de prevenção da STC.
ANATOMIA
O túnel do carpo é uma estrutura rígida, delimitada
dorso-lateralmente pelos ossos do carpo (escafóide e trapezóide no
lado medial e hamato no lado ulnar) e na superfície palmar pelo
espesso ligamento transverso do carpo. Através deste estreito espaço
passam nove tendões flexores e o nervo mediano.
FISIOPATOLOGIA
A anatomia do túnel do carpo é propícia ao desenvolvimento de
uma lesão do nervo mediano dado a sua inextensibilidade.
Estudos anátomo-patológicos demonstram que ocorre uma marcante
redução no diâmetro das fibras mielinizadas do nervo mediano sob o
ligamento transverso do carpo num ponto situado 2 a 2,5 cm distal a
entrada do túnel do Carpo (1), onde há um estreitamento em sua
secção transversal (2). Pode também haver um túnel mais estreito
congenitamente, sendo a compressão do nervo decorrente de alteração
degenerativas normais nas membranas sinovais e outras estruturas
dentro do túnel (3).Qualquer processo que leve a um aumento de
pressão no interior do túnel gerará compressão do nervo. Os aumentos
eventuais de pressão em seu interior provocam, inicialmente,
dificuldade de retorno venoso do nervo mediano, que por sua vez leva
a uma diminuição da velocidade de perfusão arterial por hipertensão
retrógrada, levando a um sofrimento do tecido neural com o
surgimento de sintomas. Se a pressão no túnel do carpo aumentar ela
poderá exceder a pressão de perfusão arterial levando à oclusão das
arteriolas. Este processo poderá gerar hipóxia do tecido neural e
degeneração focal da bainha de mielina com intussepção de um nódulo
de Ranvier sobre o seu vizinho no local de compressão. Com a
evolução do processo, ocorre degeneração axonal, havendo, nas lesões
mais graves, fibrose inter e intrafascicular.
ETIOLOGIA
Qualquer lesão, doença sistêmica ou patologia local que reduza
o tamanho do túnel do carpo abaixo de um nível crítico ou que
aumente o volume de seus componentes, levando a um aumento de
pressão, irá comprimir o nervo mediano.
Segundo Dawson (4), a causa mais comum da STC é o acometimento
dos tendões flexores do punho por uma tenossinovite não específica,
muitas vezes relacionada à realização de movimentos repetitivos do
punho.
Estes tendões também podem ser inflamados em patologias como
artrite reumatóide, tuberculose, gota, amiloidose e sarcoidose.
Outras patologias causadoras de STC são tumores, fraturas e
luxações do punho, mixedema, acromegalia, mieloma múltiplo, diabete
melito e insuficiência renal crônica.
Por outro lado, as alterações hormonais da mulher na gravidez,
menopausa, pós ooforectomia ou pelo uso de anticoncepcionais orais
também levam à STC, sugerindo uma relação entre o nível de
estrógenos e um aumento no fluido extracelular e alterações em
tecidos moles (5).
QUADRO CLÍNICO E DIAGNÓSTICO
Clinicamente o paciente queixa-se de dor, parestesias e
disestesias na distribuição cutânea do nervo mediano na mão, que
caracteristicamente pioram à noite, podendo inclusive acordar o
paciente, levando-o a movimentar às mãos e sacudí-las para melhorar
os sintomas. Os sintomas podem irradiar-se proximalmente para
cotovelo, ombro e região cervical e muitas vezes são bilaterais e as
mulheres são muito mais freqüentemente acometidas que os homens,
especialmente entre a quinta e sexta década.
O exame físico apresenta um sinal de Tinel ao percutir o
nervo no punho, com parestesias irradiada para um ou mais dedos da
mão inervados pelo mediano, o que não é um teste muito específico,
podendo ocorrer inclusive em indivíduos assintomáticos.
O teste de Phalen, que consiste em realizar uma flexão
forçada do punho por um minuto, ou o teste de Phalen invertido, em
que realiza-se uma extensão forçada do punho, também por um minuto,
quando positivos, causam uma reprodução dos sintomas de dor e
parestesias na mão.
A compressão sustentada do túnel do carpo com os polegares,
também por um minuto, igualmente reproduz os sintomas.
Normalmente as queixas restringem-se aos dedos da mão
inervados pelo mediano (primeiro, segundo, terceiro e metade lateral
do quarto),mas raramente encontra-se alterações objetivas de
sensibilidade tátil, dolorosa ou de discriminação de dois pontos, a
não ser nos casos antigos e severos.
Pesquisa-se também a força da musculatura tenar, especialmente
do músculo abdutor curto do polegar, que é testado pedindo-se ao
paciente que abduza o polegar perpendicularmente à palma da mão.
Busca-se também detectar atrofia desta musculatura. A exemplo das
alterações objetivas de sensibilidade, somente existe paresia ou
atrofia muscular nos casos antigos e severos.
Os pacientes com STC podem ser classificados em três
categorias, de acordo com os seus sintomas,(leve, moderada e severa)
(4) o que é útil não apenas para a realização do diagnóstico como
também para orientar o tratamento e prognóstico.
Os pacientes com STC severa tem sintomas de longa data e
apresentam além dos sintomas de dor, parestesias e disestesias na
mão, perda objetiva da sensibilidade tátil, dolorosa e discriminação
de dois pontos e também paresia e atrofia da musculatura tenar.
Os pacientes com STC leve apresentam os sintomas já referidos
que porém ainda são intermitentes e pioram caracteristicamente à
noite. O exame neurológico é normal.
Já os pacientes com STC moderada apresentam sintomas mais
intensos e persistentes e de mais difícil remissão que os pacientes
com STC leve. O exame neurológico destes pacientes poderá apresentar
diminuição de sensibilidade no território do mediano e mesmo algum
grau de fraqueza da musculatura tenar.
É importante salientar que os sintomas são proporcionais ao
grau da lesão nervosa e não ao tempo de evolução.
DIAGNÓSTICO NEUROFISIOLÓGICO
A eletroneuromiografia é um método muito sensível e específico
no diagnóstico desta patologia. Muitas técnicas foram desenvolvidas
para avaliar a função do nervo mediano ao nível do túnel do carpo
desde a primeira descrição por Simpson em 1956
(6,7,8,9,10,11,12,13,14,15,16,17).
Realiza-se o estudo das velocidades de condução nervosa
sensitiva e motora do mediano e a eletromiografia da região tenar.
A velocidade de condução nervosa sensitiva (VCNS) do mediano é
o método mais sensível no diagnóstico desta patologia uma vez que as
fibras sensitivas são as inicialmente acometidas
(18,19,20,21,22,23,13,17).(Fig.2).
Estuda-se a condução no segmento do punho aos dedos inervados
pelo mediano (1o.,2o.,3o. e metade lateral do 4o. dedo) de forma
ortodrômica ou antidrômica. Em alguns casos pode haver o
comprometimento seletivo de alguns fascículos do nervo, estando a
VCNS do mediano alterada com registro em um determinado dedo e
normal nos demais .Uma técnica que aumenta a sensibilidade
diagnóstica da VCNS do mediano é a utilização da estimulação na
palma da mão com registro no punho (técnica ortodrômica palma da mão
- punho) (24) uma vez que na vigência de uma desmielinização leve do
mediano restrita ao túnel do carpo,a VCNS do mesmo ainda encontra-se
normal no segmento dos dedos ao punho por ocorrer uma compensação na
transmissão do impulso nervoso no longo segmento não afetado fora do
túnel do carpo. Nestes casos a VCNS avaliada em um
segmento mais curto (palma da mão ao punho) pode detectar um
retardo na neurocondução mais precocemente. Eventualmente este
retardo só será detectado quando compara-se a VCNS do mediano com a
do ulnar no segmento palma da mão-punho, utilizando-se uma mesma
distância entre o estímulo e o registro (25, 17).
Outras técnicas de avaliação das fibras sensitivas do mediano
incluem a comparação das VCNS dos nervos mediano e radial
estimulando-os simultaneamente no punho na região anatômica que fica
entre os dois nervos e registrando a resposta no primeiro dedo que
apresenta inervação a partir destes dois nervos. Quando existe um
retardo na condução do mediano em relação ao radial, aparece uma
resposta de pico duplo, sendo o do mediano o segundo em função do
atraso de condução, ou poderá haver o desaparecimento da resposta
do mediano (26).
Da mesma forma pode-se comparar a VCNS do mediano e ulnar
estimulando-os simultaneamente no punho e registrando a resposta no
quarto dedo que apresenta inervação através destes dois nervos
(27,28 ).
Pode-se também usar a "técnica de centrimetragem" descrita por
Kimura (10) em que estimula-se o nervo mediano a intervalos de 1 cm
abaixo e acima da prega do punho e registra-se a resposta
antidromicamente ao nível do segundo dedo. Um aumento significativo
localizado da latência indica o local da lesão.
Outra técnica utilizada é a comparação da amplitude do potencial
evocado nervoso sensitivo (PANS) com estimulação no punho e palma da
mão e registro no 3o.dedo da mão(técnica antidrômica) onde uma
redução na amplitude do PANS gerado com estimulação no punho de 50%
ou mais em relação ao PANS gerado com estímulo na palma da mão
indica um bloqueio de condução (neuropraxia) (29).
Esta mesma técnica pode ser utilizada quando da realização de
VCNM do nervo mediano, que será descrita abaixo.
É importante salientar que uma redução na amplitude do PANS e
do potencial de ação muscular composto (PAMC), sem evidência de
bloqueio de condução ou dispersão temporal, sugere uma perda axonal.
Como existe uma grande variação nos valores da amplitude dos
potenciais de ação em indivíduos normais é possível haver uma perda
axonal significativa estando as amplitudes ainda dentro dos valores
normais.
Neste caso, tratando-se de sintomas unilaterais, deve-se
comparar as amplitudes dos PANS e PAMC com aquelas da mão
assintomática.
Complementando a avaliação das velocidades de condução
nervosa, realiza-se o estudo da velocidade de condução nervosa
motora (VCNM) para avaliar as fibras motoras do nervo mediano
através do túnel do carpo. A VCNM do nervo mediano normalmente
encontra-se normal na STC e quando está reduzida deve-se à lesão
seletiva de fibras de condução rápida no túnel do carpo,
provavelmente associado com alguma degeneração retrógrada das fibras
nervosas (30). Nos casos de moderada à severa intensidade observa-se
um aumento no tempo de latência distal motora (TLDM).
Nos casos em que a STC é severa suficiente para abolir o PANS
do nervo mediano, não é possível localizar a neuropatia no túnel do
carpo através da VCNS e o diagnóstico será feito através do aumento
do TLDM.
Raramente ocorre um comprometimento seletivo de fibras
motoras na STC, embora exista uma base anatômica para isto, uma vez
que o ramo motor (ramo recorrente tenar), deixa o túnel do carpo em
um canal separado (31).
Finalmente realiza-se a eletromiografia (EMG) do músculo
abdutor curto do polegar, que só apresentará alterações nos casos
mais graves, em que ocorre perda axonal importante, quando então
observar-se-á sinais de desnervação na fase de repouso muscular e
sinais de reinervação e de perda de unidades motoras periféricas
funcionantes na contração muscular.
DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL
É importante estudar outros nervos e músculos a fim de
descartar outras patologias que podem confundir-se com a STC.
A fim de afastar-se a possibilidade da existêcia de uma
polineuropatia periférica estuda-se de rotina a VCNS do nervo ulnar
bilateralmente. Uma vez que sua VCNS e amplitude do PANS encontrem-se
normais, confirma uma patologia restrita ao nervo mediano. Se houver
alterações nos parâmetros do nervo ulnar, deve-se avaliar outros
nervos mistos ou sensitivos como radial e sural, respectivamente.
Havendo alterações nestes nervos também deve-se estudar as fibras
motoras de outros nervos mistos como o peroneal comum e tibial para
avaliar o envolvimento destas fibras.
Quando as alterações estão restritas ao nervo mediano,
deve-se descartar a existência de comprometimento proximal deste,
buscando detectar alterações na EMG de músculos do antebraço por ele
inervados como pronador redondo, flexor radial do carpo, flexor
superficial dos dedos e flexor longo do
polegar.
Deve-se também descartar uma radiculopatia cervical
concomitante, que configuraria uma Síndrome de compressão dupla
(double crush) (32 ), em que uma patologia cervical leva a uma maior
suscetibilidade de compressão nervosa distal especialmente do nervo
mediano ao nível do túnel do carpo e ulnar no cotovelo e que
obviamente não apresenta melhora com um tratamento dirigido
exclusivamente ao túnel do carpo. Para avaliação de radiculopatia
cervical examina-se através da EMG uma série de músculos
pertencentes aos miótomos C5,C6,C7,C8 e T1,buscando detectar sinais
de desnervação em um determinado miótomo, devido à compressão da
raíz ao nível de sua saída do forame de conjugação.
Também deve-se diferenciar a STC da Síndrome do Desfiladeiro
Torácico Neurogênico ( SDTN) em que há acometimento do tronco
inferior ou cordão medial do plexo braquial. Nesta patologia em
estágios avançados, poderá ocorrer atrofia da região tenar
simulando uma STC severa, embora também possa ocorrer atrofia de
interósseos e região hipotenar, inervados pelo nervo ulnar, o que
não ocorre na STC. Além disto, o paciente com SDTN apresenta queixas
de alterações sensitivas restritas ao território do nervo ulnar na
mão e também os testes de Adson, Ross e Wright positivos. Do ponto
de vista neurofisiológico, ocorrem alterações na VCNS do nervo ulnar,
estando preservada a VCNS do nervo mediano e também existem
alterações na VCNM dos nervos mediano e ulnar, havendo também
redução na amplitude dos potenciais em função de perda axonal e
conseqüente atrofia muscular. Existe também um aumento na latência
da onda F com estimulação do nervo ulnar no punho. A EMG apresenta
sinais de desnervação nos músculos flexor profundo dos dedos III e
IV, primeiro interóssseo dorsal, abdutor do quinto dedo e abdutor
curto do polegar, todos inervados pelo tronco inferior e cordão
medial do plexo braquial.
TRATAMENTO
O tratamento da STC divide-se em conservador e cirúrgico.
TRATAMENTO CONSERVADOR
É utilizado naqueles pacientes com STC leve à moderada, na STC
aguda pós trauma ou em casos específicos como na gestação, em idosos
ou pacientes não elegíveis para cirurgia. Basicamente trata-se de:
1) Evitar a atividade precipitante da doença; 2) Imobilização do
punho; 3) Injeção local com corticóide; 4) Antinflamatórios não
esteroidais e corticóide via oral ou corticóide intramuscular de
depósito; 5) Diurético, especialmente quando os sintomas são
perimenstruais.
6)
Tratamento fisiátrico.
USO DE IMOBILIZAÇÃO
A utilização de uma tala de imobilização (splint),que extende-se
do meio da palma da mão até acima do punho, mantendo-o em posição
neutra, quando usada durante a noite é um excelente método de alívio
dos sintomas noturnos da STC, que são freqüentemente os mais
importantes na fase inicial desta patologia(33). Também pode ser
utilizada durante o dia quando existem sintomas, para manter o punho
em repouso.
INJEÇÃO LOCAL DE CORTICÓIDE
A maioria dos autores recomenda a injeção de corticóide para
os casos de sintomas intermitentes ou leves persistentes (34).
Também existe indicação em idosos ou pacientes com alto risco
cirúrgico com sintomas importantes.
A injeção normalmente alivia a dor mas não causa melhora
significativa nos outros sintomas.
Naquelas pacientes com STC severa, com paresia e atrofia tenar
ou perda sensitiva importante ‚ é contraindicado o uso de injeções,
uma vez que nestes casos existe indicação cirúrgica.
Utiliza-se no máximo 3-4 injeções antes de indicar-se a
cirurgia em função do risco de ruptura de tendões flexores e lesão
permanente do mediano.
Utiliza-se 1-2 ml de xilocaína à 1% e 20 mg de
metilpredinisolona. Injeta-se proximal à prega do punho e ulnar ao
tendão do palmar longo, evitando o nervo mediano e o ligamento
transverso do carpo. Após a injeção utiliza-se uma tala de
imobilização do punho por 12-24 hs.
TRATAMENTO FISIÁTRICO
Pode-se utilizar técnicas fisiátricas como coadjuvantes no
tratamento conservador da STC. Estes recursos à base de termoterapia
profunda, como ultra-som e ondas curtas levam à analgesia e efeito
antinflamatório, auxiliando na redução dos sintomas, quando
associados com o uso de "splint" . Alguns pacientes também obterão
analgesia através de eletroterapia à base de TENS (estimulação
elétrica nervosa transcutânea) e uso de raios laser.
TRATAMENTO CIRÚRGICO
Indicações: Indica-se a cirurgia para tratamento da STC
naqueles casos de STC severa com evidência de atrofia tenar e perda
sensitiva permanente de longa data. Também os pacientes com STC de
moderada intensidade que não obtiveram melhora com o tratamento
conservador devem ser considerados elegíveis para tratamento
cirúrgico.
RESULTADOS
Em pacientes com STC leve, com sintomas intermitentes ou
sintonias leves persistentes, a liberação do túnel do carpo
geralmente determina alívio imediato e completo dos sintomas.
Naqueles com STC moderada, cujos sintonias de dormência são
mais persistentes e severos, ocorre um retorno mais lento da
sensibilidade, que também dever ser completo.
Finalmente nos pacientes com STC severa, com perda sensitiva
severa de longa duração associada com dor, geralmente ocorre alívio
completo da dor mas o grau de retorno da sensibilidade muitas vezes
é incompleto. O retorno da função da musculatura tenar é similar ao
da sensibilidade. Nos pacientes com fraqueza leve e atrofia tenar
discreta pode-se esperar o retorno completo da função. Naqueles
pacientes com atrofia tenar importante o retorno completo da massa
muscular e força é infreqüente.
PREVENÇÃO
Conforme comentado anteriormente, uma das causas de STC é a
tenossinovite dos tendões flexores, que pode estar relacionada à
realização de movimentos repetitivos. Algumas pessoas são mais
predispostas que outras a desenvolverem STC. Uma das causas é que a
quantidade de lubrificação natural dos tendões flexores varia de
pessoa para pessoa. Quanto menos lubrificação, maior a possibilidade
de surgimento de STC. Quando realiza-se a flexão do punho ou dedos,
os tendões flexores friccionam contra as paredes do túnel do carpo.
Se não ocorre um repouso regular entre os movimentos ocorre um
processo inflamatório nestes tendões.
A prevenção das lesões de esforço repetitivo está relacionada
a aspectos ergonômicos e a modificações nas rotinas de trabalho.
Os aspectos ergonômicos dizem respeito à relação do indivíduo
com móveis e utensílios utilizados em seu trabalho que devem ser o
mais anatômicos possíveis.
Quanto à rotina do trabalho, que deve ser analizada caso a
caso, deve obedecer algumas regras básicas como o repouso
intermitente entre as atividades a fim de permitir a lubrificação
dos tendões e a eliminação da tarefa única através da rotação de
atividades.
Finalmente deve haver uma conscientização dos trabalhadores
que realizam movimentos repetitivos à respeito das lesões de esforço
repetitivo e a prescrição de exercícios preventivos de alongamento e
reforço muscular durante a jornada de trabalho, especificamente no
caso da STC, da musculatura flexora e extensora do punho.
CONCLUSÃO
É fundamental o diagnóstico precoce da STC a fim de evitar
dano irreversível do nervo mediano, com sintomas sensitivos
persistentes e fraqueza na mão.
Uma correta avaliação clínica e neurofisiológica permite a
confirmação do diagnóstico precocemente na maioria dos casos.
Através da eletroneuromiografia é possível avaliar
objetivamente a gravidade da lesão e a contribuição de
desmielinização e lesão axonal do nervo. Esta informação pode ser
usada na tomada de decisões terapêuticas uma vez que uma lesão
puramente mielínica tem um bom prognóstico de recuperação.
Já uma lesão axonal sugere uma patologia mais grave, indicando
a necessidade de tratamento cirúrgico. Nos casos de STC de leve
intensidade é possível realizar tratamento conservador inicialmente
e observar o grau de melhora do paciente.
Finalmente, deve-se buscar a prevenção desta patologia,
especialmente naqueles pacientes que realizam movimentos repetitivos
das mãos e punhos.
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